======================= = Capitulo I - Fome de Sague =======================
Só me disponho agora a relatar o que ocorreu na estrada do antigo presídio durante a madrugada de 25 de dezembro de 1975 por que sinto subitamente uma incontida necessidade de aliviar, um pouco que seja, minha mente desta dúvida cruel que me assola a mais de 30 anos.
Serei breve, muito breve, pois tudo aquilo ainda me assusta deveras e neste momento estou sozinho, é tarde da noite, e a escuridão grassa nos cantos ocultos do lado de fora.
Esta maldita noite eu passara em casa de meu tio materno, cuja filha, minha prima Paula, me era de muita estima e até ensaiávamos um romance meio incestuoso e certamente proibido pelos ditames de nossa família ultraconservadora.
Por volta das 23h30m saí da residência iluminada pelas diversas e festivas luzes e vozes do Natal e me dirigi de bicicleta para a estrada de acesso a meu próprio endereço que se situava numa localidade rural afastada 20 quilômetros do centro da cidade.
No caminho, além de velhas fazendas com construções estranhas mergulhadas nas altas horas escuras, ficavam o velho cemitério dos padres católicos e o antigo e abandonado presídio municipal.
Observei, não sem grande estranheza, que justamente naquela data tão supostamente festiva todas as sedes de fazenda pelas quais passei se encontravam imersas nas mais pétreas trevas; e uma quietude angustiante passou a me oprimir a garganta. O único pensamento que me assaltou então era o de que ali estava a ocorrer algo muito errado.
E meu imaginário realmente deve ter trabalhado com afinco naquela noite para produzir os horrores que se avizinhavam, sem que eu deles sequer suspeitasse, apesar da estranheza que o ambiente me transmitia.
De repente, ao longe, avistei diversos clarões refletindo-se nas matas ao redor da estrada. Eram como muitas luzes coloridas oscilando na escuridão; luzes de carros de polícia.
Imediatamente parei a bicicleta e fiquei a perscrutar o horizonte logo adiante com bastante atenção para tentar visualizar melhor o que quer que fosse em meio às densas trevas que me circundavam. Não me custou entender que realmente se tratavam de luzes de sirenes silenciosas em meio a reflexos brancos e amarelados que por certo seriam focos de inúmeras lanternas cruzando o ar nervosamente.
Pensei então que se havia algo errado por ali melhor seria mesmo que a polícia estivesse presente. E foi este pensamento, em primeira instância reconfortante, que me fez dar movimento novamente a meu "veículo" e rumar em direção ao pior pesadelo de minha vida.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
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Conto bem interessante, da uma certa curiosidade pra saber o que ocorre lá no meio do mato. Só precissa trabalhar um pouco mais a revisão textual, mas isso é prática =] Continue assim =D
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